Implementação de ferramenta para a organização do fluxo dos usuários na rede pública de reabilitação: inovar para aumentar a efetividade

  • Pollyana Ruggio Tristão Borges Universidade Federal de Minas Gerais
  • Sheyla Rossana Cavalcanti Furtado Universidade Federal de Minas Gerais
  • Mariana Angélica Peixoto de Souza Universidade Federal de Minas Gerais
  • Fabiane Ribeiro Ferreira Universidade Federal de Minas Gerais
  • Rosana Ferreira Sampaio Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: Acolhimento, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Sistema Único de Saúde.

Resumo

O Sistema Único de Saúde organiza seus serviços de forma integrada e em diferentes níveis de complexidade, nas chamadas Redes de Atenção à Saúde, dentre elas, a rede de reabilitação. A falta de sistematização na abordagem do usuário, na coleta e registro de informações pode impedir o adequado planejamento das ações. Visando sistematizar a coleta de informações funcionais no acolhimento do usuário pela rede de reabilitação, foi criado o Protocolo de Levantamento de Problemas para a Reabilitação (PLPR). O PLPR possui questões que representam os componentes da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, possibilitando a caracterização social, da saúde e Breve Descrição Funcional (BDF). Na BDF há 25 itens, distribuídas em 10 domínios: Mobilidade, Comunicação, Eutrofia, Auto-cuidado, Dor, Atividade Interpessoal, Energia e Sono, Afeto, Tarefas e Demandas Gerais, Trabalho Remunerado, cuja interpretação pode ser apresentada em escores por domínios ou total (eBDF). Descrever os escores total e por domínios da BDF do PLPR e relacioná-los com as informações sociais e de saúde dos usuários, bem como com o resultado final do protocolo quanto ao local de atendimento, profissionais envolvidos e demandas principais. A amostra foi composta por 683 usuários acolhidos na rede pública de reabilitação de Belo Horizonte, entre 2012 e 2014. Foram realizadas análises descritivas, e utilizado o teste t para comparar as médias eBDF de acordo com as características dos usuários e resultado do PLPR. Os usuários tinham em média 57 anos, 74% eram mulheres, 46% casados/união estável. Mais da metade tinham até o ensino fundamental incompleto ou não eram alfabetizados (52%) e 46% estavam ativos no mercado de trabalho. Sedentarismo (65%) e sobrepeso (29%) foram os principais fatores de risco. Quanto à percepção da saúde, 41% consideraram a saúde física Moderada e 44% a saúde emocional Muito boa/Boa. Sensação de dor foi o item da BDF que mais apresentou dificuldade grave ou completa pelos usuários (59,7%), seguido por Funções relacionadas à mobilidade das articulações (48,3%). A média do eBDF foi 27,54. Na análise por domínios, Dor e Desconforto foi o que apresentou média mais alta (6,10; DP=3,01), seguido por Mobilidade (3,59; DP=3,47). A maioria dos usuários iniciou a reabilitação na Atenção Básica (83%) e demandou o acompanhamento por apenas um profissional da reabilitação (76%). A análise das médias do eBDF revelou que os usuários: do sexo feminino, que iniciaram a reabilitação na Atenção Especializada, não alfabetizados, com percepção da saúde física e emocional ruim/muito ruim, com menos de 60 anos de idade, sedentários, com sobrepeso e tabagistas apresentaram maior média no eBDF, indicando pior funcionalidade (p<0,05). Espera-se, que a aplicação e informatização do PLPR na rede pública de reabilitação contribuam para o planejamento e organização dos serviços, a partir da análise da demanda funcional dos usuários. 

Publicado
05-01-2017
Como Citar
1.
Borges P, Furtado S, de Souza MA, Ferreira F, Sampaio R. Implementação de ferramenta para a organização do fluxo dos usuários na rede pública de reabilitação: inovar para aumentar a efetividade. JMPHC [Internet]. 5jan.2017 [citado 12nov.2019];7(1):128-. Available from: http://jmphc.com.br/jmphc/article/view/467
Seção
Seminários, Simpósios e Mesas Redondas

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