Farmacoeconomia e farmacoepidemiologia na gestão de recursos em saúde: primeiros resultados de uma revisão integrativa

  • Ellen Cristina Alves de Paula Heads in Health
  • Samara Jamile Mendes

Resumo

A farmacoeconomia é a junção da descrição e análise comparativa dos custos com os desfechos terapêuticos de um tratamento medicamentoso, produto em saúde ou serviço em saúde, visando a otimização de recursos financeiros, sem prejudicar a qualidade de vida e o tratamento ao paciente. Tem como definição segundo a diretriz metodológica do ministério da saúde sobre avaliações econômicas de tecnologias em saúde: “...Conjunto de atividades dedicadas, de modo geral, à análise econômica no campo da Assistência Farmacêutica, como a gestão de serviços farmacêuticos, a avaliação da prática profissional e a avaliação econômica de medicamento e, de modo específico, à descrição e à análise dos custos e das consequências da farmacoterapia para o paciente, o sistema de saúde e a sociedade...”. Em países subdesenvolvidos e/ou em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, há recursos limitados para implementação de novas tecnologias, sendo assim, o uso da farmacoeconomia se torna um fator muito importante pois permite reduzir custos garantindo a utilização de um serviço com qualidade, podendo também contribuir com o uso racional de medicamentos. As avaliações farmacoeconomicas mais antigas utilizavam apenas critérios de eficácia e segurança, porém com o aumento dos custos e das restrições orçamentárias dos sistemas de saúde, se fez necessário adotar alguns critérios não somente clínicos e de segurança como também econômicos e de dados pós comercialização do produto, como a farmacovigilancia, que subsidiem a tomada de decisão a respeito da incorporação/inclusão racional de novas tecnologias. Este tipo de análise passou a ser denominada “Avaliação de Tecnologias em Saúde” (ATS). Os dados farmacoepidemiológicos, principalmente os de farmacovigilância, estão incorporados nos estudos farmacoeconomicos, e a sua utilização garante o melhor aproveitamento dos tratamentos avaliados assim como dos recursos disponíveis, visando sempre a assistência com qualidade, dos pacientes. Os estudos de reações adversas a medicamentos na farmacoeconomia sugerem que os governos gastam quantias consideráveis do orçamento com o manejo desses eventos que poderiam ter sido evitados com trabalhos de prevenção. Segundo as Diretrizes Nacionais para a Vigilância de eventos adversos e queixas técnicas de produtos sob Vigilância Sanitária de 2005, foram registradas cerca de 21.500 internações (59 internações/dia) devidas a problemas associados ao uso de medicamentos (PRM), totalizando um custo aproximado de oito milhões e trezentos mil reais (R$ 8.300.000,00). Em relação a mortalidade, o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde informa a ocorrência de 6 mil mortes entre o período de 1996-2003. Objetivo: Sabendo da importância dos dados farmacoepidemiológicos (farmacoepidemiologia e farmacovigilancia) nas análises farmacoeconomicas, este estudo teve como objetivo identificar estudos farmacoeconômicos com ênfase na farmacoepidemiologia, (custo- efetividade, custo-benefício, ou custo utilidade) afim de conhecer como os principais resultados poderiam ser empregados na gestão de recursos no sistema de saúde. Método: A pesquisa é uma revisão da literatura do tipo integrativa que bem como as demais revisões literárias, são pesquisas que utilizam como fonte de dados a literatura sobre determinado tema. Esse tipo de investigação disponibiliza um resumo das evidências relacionadas a uma estratégia específica, mediante a aplicação de métodos explícitos e sistematizados de busca como pergunta estrutural, revisores, apreciação crítica e síntese das informações selecionadas. As revisões integrativas são úteis para integrar as informações de um conjunto de estudos realizados separadamente sobre determinada intervenção, que possam apresentar resultados conflitantes e/ou coincidentes, bem como identificar temas que necessitam de evidência, auxiliando na orientação para investigações futuras. Sabendo disso foi realizado uma revisão sistemática/integrativa que visa analisar as melhores evidências científicas disponíveis sobre estudos farmacoeconômicos em farmacovigilância e sua utilização na gestão em saúde. A busca sistematizada foi realizada na plataforma http://bvsalud.org/ - Portal regional da BVS, partindo-se da técnica de funil, combinando-se diversos descritores relacionados ao tema e utilizando-se as sintaxes necessárias para refinar a busca. A composição sintática realizada do tema parte da compreensão de cinco polos temáticos de interesse, identificados a partir da pergunta da pesquisa: a) farmacoeconomia; b) farmacoepidemiologia; c) avaliação de tecnologias biomédicas e d) Gestão de Recursos e) Custos e Análise de Custo. Resultados: A revisão integrativa de literatura selecionou 9 artigos no período de dezembro de 2018, publicados em inglês, português e ou espanhol. Devido à escassez de recursos na área da saúde, aliado ao aumento do envelhecimento populacional, o uso da farmacoeconomia tem se tornado uma excelente ferramenta para a tomada de decisão quanto aos recursos em saúde disponibilizados. Apesar disso ainda foi possível identificar, nos estudos de reações adversas a medicamentos na farmacoeconomia, que os governos gastam quantias consideráveis do orçamento com o manejo desses eventos que poderiam ter sido evitados com trabalhos de prevenção e acompanhamentos periódicos. Considerações finais: A revisão sistemática integrativa demonstrou que o uso da farmacoeconomia no sistema de saúde já está sendo utilizado, mas que são necessários investimentos para sua melhor utilização, visando sempre uma melhor gestão de recursos disponíveis e com uma melhor qualidade no serviço ou material em saúde prestado.

Publicado
12-12-2019
Como Citar
1.
de Paula E, Mendes S. Farmacoeconomia e farmacoepidemiologia na gestão de recursos em saúde: primeiros resultados de uma revisão integrativa. JMPHC [Internet]. 12dez.2019 [citado 22jan.2020];11(Sup). Available from: http://jmphc.com.br/jmphc/article/view/941