Perfil Funcional de usuários de serviços públicos e privados de reabilitação: proposta de indicadores para avaliar intervenções – estudo piloto

  • Amanda Neves Cruz Coelho Universidade Federal de Minas Gerais
  • Fabiane Ribeiro Ferreira
  • Anderson Aurélio da Silva
  • Rosana Ferreira Sampaio

Resumo

Três fatores estão relacionados com um bom processo de reabilitação: considerar todos os aspectos da vida da pessoa, reconhecer o indivíduo como o foco central na tomada de decisões e assegurar intervenções especificas para atender de forma efetiva suas demandas em todos os serviços de saúde. Testar indicadores para coleta de informações funcionais que permitam monitorar e avaliar o impacto de intervenções realizadas em serviços de reabilitação, na Atividade e Participação de usuários abordados nesses serviços. Trata-se de um estudo transversal, em fase piloto, cujos dados de 197 usuários foram coletados no período de 2015 a 2016 em serviços de reabilitação de Belo Horizonte. Foram realizadas entrevistas face a face, na semana de início do tratamento, utilizando-se dois instrumentos de avaliação funcional cuja abordagem está ancorada na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). O primeiro, o Escore de Limitação de Atividade (ELA), descreve 18 ações básicas da vida diária, em quatro domínios: experiências sensoriais, aprendizado básico e aplicação de conhecimento, comunicação e mobilidade. Já o Escore de Restrição de Participação (ERP) descreve 22 atividades complexas em cinco domínios: cuidado pessoal, vida doméstica, relações e interações interpessoais, áreas principais da vida e vida comunitária, social e cívica. Estas escalas foram criadas em 2010 por Mont & Loeb que adotaram a quarta opção de operacionalização para atividade e participação propostas pela OMS. O ELA e o ERP têm uma escala de 0 a 100, com pesos por domínios, de forma a equalizar a importância dos mesmos no escore final. Do total de 197 usuários que deram entrada em serviços públicos e privados de reabilitação no período estudado, 66% eram mulheres, a média de idade 51 anos e, aproximadamente, metade da amostra tinha cursado ensino fundamental (completo ou incompleto). Quanto ao estado civil, 46,8% eram casados ou relataram união estável. O escore médio do ELA foi de 19,3 (Máx. 71,9; Min. 0), e para o ERP de 13,6 (Máx. 81,7; Min.0). O domínio da avaliação de atividade (ELA) que apresentou maior frequência de dificuldade severa foi Mobilidade sendo os piores itens avaliados “manter a posição do corpo”, seguido por “mudar a posição do corpo” e “levantar, carregar, mover e manusear objetos”. Na escala de participação (ERP), os domínios que apresentaram maior frequência de dificuldade severa foram: Vida Doméstica e Cuidado Pessoal, sendo os itens “realizar tarefas domésticas" e “ vestir-se e despir-se”, os mais citados respectivamente. A qualidade da assistência em saúde tem sido associada com a diminuição de custos, onde a abordagem assertiva inicial do usuário, sem necessidade de repetição de intervenções, é menos onerosa para os mesmos e para o sistema de saúde. Os escores apresentados pelos participantes deste estudo mostraram comprometimento importante no desempenho de funções básicas e dificuldades em lidar com atividades complexas no início do tratamento. Nesta pesquisa, os dois instrumentos deverão ser aplicados no momento da alta, para que se possa avaliar o impacto das intervenções de reabilitação na vida destas pessoas.

Biografia do Autor

Amanda Neves Cruz Coelho, Universidade Federal de Minas Gerais

 

 

Publicado
05-01-2017
Como Citar
1.
Coelho A, Ferreira F, da Silva A, Sampaio R. Perfil Funcional de usuários de serviços públicos e privados de reabilitação: proposta de indicadores para avaliar intervenções – estudo piloto. JMPHC [Internet]. 5jan.2017 [citado 22jul.2019];7(1):4-. Available from: http://jmphc.com.br/jmphc/article/view/346
Seção
Seminários, Simpósios e Mesas Redondas