Descompasso entre saúde e arte: uma análise do perfil clínico ocupacional dos profissionais da música

  • Emerson de Araújo Nunes Universidade Federal de Minas Gerais
  • Ronise Lima Costa Universidade Federal de Minas Gerais
  • Renan Alves Resende Universidade Federal de Minas Gerais
  • Fabiane Ferreira Ribeiro Universidade Federal de Minas Gerais
  • Rosana Ferreira Sampaio Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: Sistema Musculoesquelético, Músico, Saúde do Trabalhador

Resumo

Músicos apresentam risco aumentado de desenvolver sintomas associados a disfunções do sistema musculoesquelético como dor, fraqueza, dormência, cansaço e outros. Esses sintomas podem estar associados à técnica utilizada para tocar determinado instrumento, tempo de estudo, quantidade e duração dos intervalos, fatores geradores de estresse relacionados ou não à atividade musical, entre outros. A ocorrência de tais sintomas pode impactar negativamente a performance do músico, e até mesmo resultar em afastamento de suas atividades laborais. É importante (re) conhecer os sintomas e os fatores de risco para doenças musculoesqueléticas neste grupo a fim de se desenvolver e implementar estratégias preventivas. Neste contexto, foi criado no Serviço Especializado em Saúde do Trabalhador (SEST) do Hospital das Clínicas da UFMG um programa de atenção integral à saúde do músico. Realizar uma análise descritiva do perfil sócio demográfico, clínico e ocupacional dos músicos que participaram do programa de saúde do músico do SEST. Estudo transversal realizado no período de novembro de 2008 a junho de 2016. Para a coleta de dados, foi aplicado um questionário estruturado durante o acolhimento dos músicos no SEST, o qual é dividido em informações ocupacionais, clínicas e funcionais. Para avaliação da dor, foi usada a versão adaptada para o português do questionário Brief Pain Inventory. Os dados foram analisados utilizando o software SPSS versão 17. Foram avaliados 132 músicos (65% do sexo masculino) com média de idade de 36 anos (DP = 13,2). A maioria (92%) relatou ser instrumentista, sendo mais frequente os instrumentistas de cordas, em sua maioria violonistas (15,9%). Grande parte da amostra estava vinculada a alguma instituição oficial (73%), sendo 36% como aluno e 46% como profissional. O tempo médio de experiência foi 16 anos (DP = 11,4). Sessenta e oito por cento dos músicos realizava estudos regulares, com duração média de 3,5 horas/dia. Em relação a queixas funcionais, 89% apresentou algum tipo de dor, 36% cansaço e 22% fraqueza. A região mais acometida foi o ombro direito (15%), seguida por coluna cervical (13%) e mão direita (9%). Em uma escala de 0 a 10, a dor apresentou média 4 de interferência na atividade ocupacional desses músicos, sendo a média da intensidade de dor relatada igual a 3,6. A prevalência de queixas é semelhante à encontrada na literatura mundial. A experiência do SEST/HC/UFMG tem mostrado que há uma demanda crescente por atendimento no setor público deste grupo de trabalhadores. Conhecer o perfil clínico-ocupacional dos participantes do programa de atenção integral a saúde do músico poderá auxiliar os profissionais de saúde e da música a incorporar estratégias que possam contribuir para a prevenção da ocorrência de disfunções do sistema musculoesquelético nestes trabalhadores.

Publicado
05-01-2017
Como Citar
1.
Nunes E, Costa R, Resende R, Ribeiro F, Sampaio R. Descompasso entre saúde e arte: uma análise do perfil clínico ocupacional dos profissionais da música. JMPHC [Internet]. 5jan.2017 [citado 20set.2019];7(1):21-. Available from: http://jmphc.com.br/jmphc/article/view/323
Seção
Seminários, Simpósios e Mesas Redondas

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