Grupo de Pesquisas Multiprofissionais em Educação e Tecnologias em Saúde (PEMEDUTS): Reflexões, construções de conhecimentos e práticas interprofissionais em uma Universidade Pública Federal

  • Neudson Johnson Martinho Faculdade de Medicina da UFMT/Cuiabá-MT
  • Rodrigo Francisco Armendro

Resumo

Introdução: A Resolução nº 3, de 20 de junho de 2014, do Conselho Nacional de Educação, institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. No capítulo I das Diretrizes em seu Art. 4º ressalta a necessidade da articulação entre conhecimentos, habilidades e atitudes requeridas do egresso para o futuro exercício profissional, enfatizando que a formação do graduado em medicina deve desdobrar-se nas seguintes áreas: Atenção à Saúde; Gestão em Saúde e Educação em Saúde. Destaca o aprender interprofissionalmente como um elemento importante para reflexão sobre a própria prática médica, assim como, espaço de troca de saberes com profissionais da área da saúde e de outras áreas do conhecimento, como estratégia para a orientação da identificação, discussão e resolução de problemas, estimulando o aprimoramento do trabalho em equipe e qualidade da atenção à saúde (BRASIL, DOU nº 117 de 23.06.2014). Dentre as várias orientações, pontua a precoce inserção dos alunos nas redes de serviços de saúde, visando propiciar a interação ativa destes com usuários  e demais profissionais da equipe de saúde. Nesta perspectiva, almejando contribuir com a efetivação das diretrizes supracitadas no que tange a aproximação e interação dos alunos de medicina com estudantes de outros cursos da universidade e vice-versa, num imbricamento  e intercambiamento de saberes e fazeres através do desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão, no ano de 2014, idealizamos e criamos Grupo de Pesquisas Multiprofissionais em Educação e Tecnologias em Saúde - PEMEDUTS, o único existente no momento com esta característica de Multiprofissionalidade na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá. Este é certificado pela instituição e regularizado no CNPq – Diretório dos Grupos de Pesquisa, cujo endereço para Endereço para acessá-lo é: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo /7500370840394299. O referido grupo tem três grandes linhas de pesquisa: Bases teórico-metodológicas da Educação Popular em Saúde; Ações interdisciplinares nas práticas e políticas para a promoção da saúde com ênfase na educação em saúde e Educação em Saúde e Tecnologias em Saúde numa perspectiva interdisciplinar e multiprofissional. Subsidiado nas mesmas, vem desenvolvendo Projetos de Pesquisa e Extensão voltados para Educação em Saúde, abrangendo temáticas  e fenômenos diversos inerentes ao existir humano, sempre percebendo a saúde em seu conceito ampliado, demonstrando possibilidades efetivas de práticas interprofissionais, multi e interdisciplinares nos diversos cenários de práticas, trazendo à tona reflexões propositivas quanto que podem contribuir para relações mais humanizadas nos serviços de saúde, assim como, um cuidado realmente ecoholístico através do trabalho em equipe, sempre enfocando a importância do intercambiamento de saberes / fazeres acadêmicos com os da educação popular e movimentos sociais em saúde. Apesar de ser um grupo de pesquisa novo no cenário acadêmico, o mesmo já tem uma vasta gama de produção caracterizada pela execução de projetos com e para a população, trabalhos científicos apresentados em eventos científicos de âmbito local, regional, nacional e internacional, além de publicações   de capítulos de livros sobre educação em saúde, primando sempre por não ficar apenas no produtivismo acadêmico ou abstração teórica. Objetivo: Socializar a experiência em conduzir um grupo de pesquisas multiprofissionais como estratégia para estimular reflexões, saberes e fazeres na dimensão interprofissional nas graduações em saúde. Método: Relato de experiência, subsidiado em narrativas, por este método possibilitar mediação entre a experiência viva, significada e o discurso como mediador das significâncias, superando a distância entre o compreender, o explicar e fazer (RICOEUR, 1997). Resultados: A atuação do PEMDUTS estimulou a todos os envolvidos (estudantes e profissionais de diversas áreas do conhecimento) a refletirem quanto aos seus (pré) conceitos quanto a percepção e atitude frente ao trabalho em equipe, ao desmistificamento relacionado ao entendimento errôneo relacionado a práticas de educação em saúde. Como produto das reuniões e diálogos em grupo, os membros se empenharam na elaboração e desenvolvimento do 1º Simpósio Multiprofissional e Interdisciplinar em Educação em Saúde de Mato Grosso, o qual ocorreu em julho do corrente ano, evento este que propiciou o intercâmbio de saberes e fazeres entre os estudantes da área da saúde e de outras áreas do conhecimento com a educação popular em saúde, tendo em vista que membros da comunidade forma convidados e participaram ativamente do evento desenvolvendo oficinas de práticas populares em saúde(homeopatia popular, uso de plantas medicinais, Reik e outras ações). Aos poucos, embora que por questões culturais, um número pequeno de estudantes de medicina participe do mesmo, consideramos que se estamos conseguindo quebrar tabus e transpor barreiras quanto a efetivação de práticas interprofissionais, sendo um ponto forte a desconstrução da percepção das ações de educação em saúde como a realização de palestras, algo normativo e prescritivo. Os participantes já compreendem e socializam entre seus pares que o diálogo sempre deve preceder ao ato educativo e não o monólogo. Outro resultado considerado importante é compreensão quanto à participação ativa dos sujeitos nos processos educativos, como elemento propulsor para as mudanças e movimentos viáveis em prol da vida e da saúde em sua plenitude. Conclusões: Concluímos que através de grupos multiprofissionais de pesquisa é possível possibilitar e legitimar a interação entre estudantes e profissionais de diversas áreas do conhecimento humano. No caso do PEMEDUTS, alunos de medicina, enfermagem, filosofia, serviço social, pedagogia, ciências sociais, nutrição, biologia e direito, interagem através de estudos reflexivos subsidiados em artigos da linha humanística e o desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão em equipamentos sociais e grupos populacionais diversos, caracterizados por: Comunidade Quilombola; Professores e escolares de escolas públicas municipais; Profissionais da Saúde e clientela de Unidades Básicas de Saúde; Jovens dependentes químicos em recuperação e familiares, População GLBTS e pesquisas sobre currículo e inovação pedagógica no curso de medicina. A cada reunião se torna perceptível que apesar de ser um desafio na academia e nos serviços de saúde, é possível e salutar a prática interprofissional em saúde, porém, deve ser iniciada nos cursos de graduações, dentro da própria universidade, como estratégia para legitimação desta nos serviços de saúde. Aprendemos nas relações interprofissionais que o conhecimento e a prática eficaz na área da saúde não estão ou surgem da cabeça de uma única pessoa e ou de um expert em determinado assunto, mas, que o cuidado eficaz se constrói coletivamente, na troca de experiências e significâncias dos saberes/fazeres tecidas nas relações cotidianas pautadas no respeito e reconhecimento competências se complementam, não se sobrepõem.

Publicado
19-09-2018
Como Citar
1.
Martinho N, Armendro R. Grupo de Pesquisas Multiprofissionais em Educação e Tecnologias em Saúde (PEMEDUTS): Reflexões, construções de conhecimentos e práticas interprofissionais em uma Universidade Pública Federal. JMPHC [Internet]. 19set.2018 [citado 18dez.2018];8(3):14-5. Available from: http://jmphc.com.br/jmphc/article/view/607