Dor crônica na Atenção Primária à Saúde: a assistência integral aos usuários

  • Matheus Alvarenga Núcleo de Apoio a Saúde da Família - NASF, Rio de Janeiro, RJ
  • G. Bohusch Programa de Residência de Enfermagem de Saúde da Família – SMS/RJ
  • F. Coutinho Programa de Residência de Saúde da Família – SMS/RJ
  • A. Fiuza Programa de Residência de Saúde da Família – SMS/RJ
  • L. Lourenço Programa de Residência de Saúde da Família – SMS/RJ
  • B. Magalhães Programa de Residência de Saúde da Família – SMS/RJ
Palavras-chave: Dor Crônica, Atenção Primária à Saúde, Grupos.

Resumo

 De acordo com a International Association for the Study of Pain, dor é uma sensação ou experiência emocional desagradável, associada com dano tecidual real ou potencial. É classificada em aguda ou crônica quando tem duração inferior ou superior a 30 dias. Segundo a portaria n°1083 de 2012, lançada pelo Ministério da Saúde, o Protocolo Clínico e de Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica, inexistem dados disponíveis no Brasil sobre a prevalência de dor crônica. No entanto, podemos perceber uma alta procura por atendimento relacionada a queixas osteoarticulares na Atenção Primária (APS). O caderno de Atenção Básica de Demanda Espontânea sugere que o atendimento aos usuários com dor crônica na APS seja realizado com o apoio dos profissionais do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF), pois o cuidado multiprofissional e interdisciplinar é potente para agregar recursos e contribuir para intervenções com maior resolutividade para o usuário, além de, capacitar as equipes de referência (MS, 2013). Descrever a experiência do grupo da Dor realizado em uma Unidade de Saúde. Relato de experiência. O grupo possui 70 usuários, de ambos os sexos, divididos em duas turmas quinzenais. São direcionados para o grupo por encaminhamento interno pelas equipes de saúde da Unidade. O critério para participação no grupo da Dor é: ter dor a mais de três meses, sem resposta terapêutica às intervenções da equipe de referência. Os usuários que atualmente participam do grupo tem entre 40 e 80 anos, sendo a maioria do sexo feminino. A atividade ocorre na Clínica da Família Felippe Cardoso, localizada no município do Rio de Janeiro. Iniciado em 2011, o grupo atualmente é coordenado pelo fisioterapeuta do NASF e pela enfermeira residente da Unidade, ocorre todas as segundas das 14h às 17h. Ao longo das três horas há a realização de exercícios, nas quais os usuários são estimulados a perceber suas estruturas corporais e a importância do autocuidado para a manutenção de suas funcionalidades. Em um segundo momento, há a formação de uma roda para dar as boas vindas aos novos integrantes, e aqueles que já fizeram parte dos encontros anteriores falam a respeito do estado de saúde antes e após a entrado no grupo. Posteriormente, há a discussão de temas de saúde escolhidos previamente pelos usuários. Dentre eles: estrutura corporal, chikungunya, alimentos com propriedades anti-inflamatórias, risco de queda, uso de compressas quentes e frias. Ao final do encontro realizamos exercícios com bozu, cama elástica ebola suíça para estimular o equilíbrio e a socialização através de atividades lúdicas. Sabe-se que mesmo com o crescimento da cobertura da APS no Brasil, as práticas em saúde estão focadas nas intervenções medicamentosas e nos encaminhamentos para os serviços especializados. Dessa forma, entendemos que APS é um modelo de atenção potente na desmedicalização do atendimento aos usuários com dor crônica. Por ter como princípios o cuidado longitudinal e integral à saúde, além de proporcionar um cuidado multiprofissional aos usuários o grupo atua como uma ferramenta excelente para aplicabilidade destes princípios e construção de espaços coletivos de autocuidado. 

Biografia do Autor

Matheus Alvarenga, Núcleo de Apoio a Saúde da Família - NASF, Rio de Janeiro, RJ

 

 

Publicado
05-01-2017
Como Citar
1.
Alvarenga M, Bohusch G, Coutinho F, Fiuza A, Lourenço L, Magalhães B. Dor crônica na Atenção Primária à Saúde: a assistência integral aos usuários. JMPHC [Internet]. 5jan.2017 [citado 19jul.2019];7(1):43-. Available from: http://jmphc.com.br/jmphc/article/view/369
Seção
Seminários, Simpósios e Mesas Redondas